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ABORLccfRevista Brasileira de Otorrinolaringologia

Trabalho Clínico

Avaliação auditiva em neonatos com hiperbilirrubinemia..

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Audiologic evaluaition in neonates with hyperbilirubinemia..
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Autores:

Daniela Polo Camargo da Silva..

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(Fonoaudióloga e Pós-Graduanda do Curso de Bases Gerais da Cirurgia da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP)...
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Regina Helena Garcia Martins..

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(Professora Assistente, Doutora em Cirurgia pela Faculdade de Medicina de Botucatu - Unesp.Responsável pelo ambulatório de foniatria e voz...
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)

Bruno Almeida Antunes Rossini..

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(Médico Residente da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP)...
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)

Palavras-Chave
neonatal, surdez, hiperbilirrubinemia..

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Resumo
Introdução: hiperbilirrubinemia é tóxica às vias auditivas e ao sistema nervoso central, deixando seqüelas como surdez e encefalopatia. Objetivos: avaliar a acuidade auditiva em neonatos portadores de hiperbilrrubinemia. Estudo clínico prospectivo. Material e Métodos: constituíu-se 2 grupos: GI (n-25) neonatos com hiperbilirrubinemia (bilirrubinemia indireta maiores que 3 mg/dL); GII (n-22), neonatos sem hiperbilirrubinemia (bilirrubina indireta inferior a 3 mg/dL, e sem fatores de risco para surdez). Todos tinham até 60 dias de vida e foram submetidos à EOAET e ao PEATE. Resultados: 12 neonatos de GI e 10 de GII eram do sexo feminino e 13 de GI e 12 de GII eram do sexo masculino. As EOAET estavam presentes em todas as crianças, porém com amplitudes menores em GI, especialmente nas freqüências de 2 e 3KHz (p < 0,05). No PEATE, observou-se discreto prolongamento de PV e de LI-V em GI. As alterações observadas nos testes não se correlacionaram aos níveis séricos da bilirrubinemia. Conclusões: em neonatos portadores de hiperbilirrubinemia, menores amplitudes das emissões otoacústicas transientes e discreto prolongamento de PV e de LI-V foram constatados indicando comprometimento coclear e retroclear das vias auditivas, salientando a importância da utilização e da interpretação minuciosa de ambos os testes nessas avaliações...

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Keywords
neonatal, hearing loss, hyperbilirubinemia..

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Abstract
Introduction: hyperbilirubinemia is toxic to the auditory pathways and the central nervous system and can leave sequelae such as hearing loss and encephalopathy. Objectives: to evaluate the audiological results in neonates with hyperbilirubinemia, using transiently otoacoustic emissions (TOAEs) and auditory brainstem responses (ABR). Methods: There were two groups consisting GI (n-25) composed of neonates with hyperbilirubinemia (indirect bilirubin greater than 3 mg/dL) and GII (n-22), composed of neonates without hyperbilirubinemia (indirect bilirubin less than 3 mg/dL, without risk factors for deafness). All neonates had less than 60 days of life and were submitted to TOAEs and ABR. Results: 12 neonates of GI and 10 of GII were females and 13 GI and 12 of GII were males. The TOAEs were present in all neonates, but with smaller amplitudes in GI, especially in 2 and 3KHz frequencies (p <0.05). ABR showed mild increased latency of PV and LI-V in GI. Alteration observed in both tests did not show correlation with the levels of serum bilirubinemia. Conclusions: neonates with hyperbilirubinemia presented smaller amplitudes of the transiently otoacustic emissions and mild enlargement of PV and LI-V in ABR, suggesting coclear and retrocochear injuries, stressing the importance of both tests in audiologic evaluation in neonates. ..

 

Instituição: Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP)

Suporte Financeiro:

Introdução

A icterícia é definida como a coloração amarelada da pele pela impregnação de bilirrubina nos líquidos extracelulares. É considerada fisiológica quando o aumento da bilirrubina não conjugada ocorre durante as duas primeiras semanas de vida. Os casos mais preocupantes, considerados patológicos, cursam com níveis muito elevados desse pigmento logo nas primeiras 24 horas de vida e requerem tratamento precoce, seja por meio da fototerapia ou exsagüíneo transfusão1,2.

Os efeitos danosos às vias auditivas periféricas e centrais, causados pela impregnação dos pigmentos biliares, vêm sendo salientados por diversos autores3-5. A hiperbilirrubinemia tem efeito tóxico sobre as células ciliadas endococleares, núcleos da base e vias auditivas centrais4. A deficiência auditiva, quando presente, pode ser de graus variados, reversível ou não, sendo importante o diagnóstico precoce, realizado por meio de vários testes, logo nos primeiros dias de vida. Destes ganham destaque, por serem métodos objetivos e confiáveis, a pesquisa das emissões otoacústicas (EOA) e a pesquisa dos potenciais evocados auditivos do tronco encefálico (PEATE). As EOA analisam as condições das células ciliadas externas (vias pré-neurais), sendo utilizadas nas avaliações de cocleopatias como ocorre exposição aos agentes ototóxicos, às viroses e ao ruído6. O PEATE registra a atividade eletrofisiológica do sistema auditivo periférico até tronco encefálico, que surgem nos primeiros 10-12 ms após a estimulação sonora, permitindo assim o estudo das vias retrococleares7.

No neonato com hiperbilirrubinemia, pode-se encontrar na EOA, ausência de respostas, indicando dano coclear, e o PEATE pode detectar aumento do limiar eletrofisiológico, prolongamento das latências absolutas das ondas, com reversibilidade ou não após exsangüíneo transfusão, resultados estes que, para alguns autores, estão correlacionados com os níveis séricos de bilirrubina4,8,9. Outros achados do PEATE incluem diminuição da amplitude e prolongamento dos interpicos LIII-V e LI-V9.

Contrariamente, alguns autores, não comprovaram alterações nas vias auditivas em neonatos com hiperbilirrubinemia, como apresentado por Ögün et al.10 em estudo com 30 recém-nascidos, com idades entre 24 a 72 meses de idade, submetidos ao PEATE, EOAT e questionário de fala-linguagem. As emissões otoacústicas transientes estavam presentes, bem como os potenciais eletrofisiológicos a 80 dB em todas as crianças, as quais apresentavam também desenvolvimento normal de linguagem. Os autores não observaram correlação entre o nível sérico total de bilirrubina e alterações nos limiares e latências do PEATE .

Os resultados contraditórios dos diversos estudos justificam a importância da realização de pesquisas adicionais nas avaliações da integridade das vias auditivas em neonatos com hiperbilirrubinemia e da utilização de vários testes nessas avaliações para se determinar o grau de comprometimento e os vários setores envolvidos.

 

OBJETIVOS

Avaliar a acuidade auditiva em neonatos portadores de hiperbilrrubinemia, por meio da pesquisa das emissões otoacústicas evocadas transientes e da pesquisa dos potenciais evocados auditivos do tronco encefálico.

 

CASUÍSTICA E MÉTODOS

CASUÍSTICA

 

Foram constituídos dois grupos de estudo: Grupo amostral (GI): composto por 25 recém-nascidos com hiperbilirrubinemia, confirmada por meio das dosagens séricas de bilirrubinemia indireta maiores que 3 mg/dL e submetidos a tratamento com fototerapia e/ou exsangüíneo transfusão; Grupo controle (GII): composto por 22 recém-nascidos, com níveis séricos de bilirrubina indireta inferiores a 3 mg/dL, sem fatores de risco para deficiência auditiva. Todos os recém nascidos do grupo controle foram submetidos à mesma seqüência de avaliações auditivas do grupo amostral.

Todos os ingressantes, tanto do grupo amostral como do controle, tiveram o termo de consentimento livre e esclarecido assinado pelos responsáveis, após aprovação da pesquisa pelo comitê de ética da Instituição em que foi realizado o estudo.

Para padronização do estudo, foram estabelecidos os seguintes critérios de exclusão:

§   antecedentes familiares de perda auditiva (incluindo relato de surdez familiar ou genética),

§   uso de fármacos ototóxicos pelas mães no período gestacional,

§   portadores de malformações crânio faciais,

§   exame otoscópico alterado;

§   hipóxia neonatal (avaliado pelos valores do Apgar inferiores a 4 no primeiro minuto e 6 no quinto minuto);

§   idade superior a três meses.

 

MÉTODOS

Seqüência de avaliações:

Para atender às finalidades da pesquisa, os neonatos foram submetidos à seguinte seqüência de avaliações:

8Entrevista e preenchimento de protocolo de estudo para coleta de dados fornecidos pelos responsáveis,

8Análise dos prontuários médicos, sendo coletados dados referentes a: idade, gênero, presença de intercorrências na gestação, condições do nascimento, tipo sangüíneo da mãe e do recém-nascido, níveis séricos de bilirrubina indireta e direta, tratamento utilizado (fototerapia e/ou exsangüíneo transfusão;

8Meatoscopia, realizada pelo médico otorrinolaringologista com auxílio de otoscópio à pilha (marca Heine, Alemanha);

8Avaliação audiológica: por meio da pesquisa das emissões otoacústicas evocadas transientes (EOAET) e dos potenciais evocados de tronco encefálico (PEATE).

A pesquisa das EOAET foi realizada com o analisador de emissões cocleares, ILO - 288, Otodynamic, acoplado a um microcomputador. O exame foi realizado em cabina acústica, com apresentação de um "click" não-linear, com duração de 80ms, sendo fornecidos 260 estímulos. As respostas foram registradas nas bandas de freqüências de 1,0; 1,5; 2,0; 3,0 e 4,0, em uma janela de 12 milisegundos. Após o processo de checagem da adaptação da sonda no meato acústico externo, manteve-se a estabilidade da sonda sempre superior a 70% e intensidade variando entre 79 e 83 dB. Os critérios utilizados para a classificação das EOAET como presentes ou ausentes foram: reprodutibilidade do sinal obtido (A&B) maior que 50% e amplitude de resposta em dB igual ou maior a 6dBNPS acima do espectro do ruído em três freqüências consecutivas. Na interpretação dos resultados foi calculada a média.

A pesquisa dos potenciais evocados auditivos de tronco encefálico (PEATE) foi realizada utilizando-se o aparelho EP - 15 - Eclipse, Interacoustics, em ambiente silencioso. Após limpeza da pele com substância abrasiva, os eletrodos de superfície, marca Neuroline, foram fixados em pontos específicos. Os eletrodos positivos (ativos) foram fixados à fronte (Cz) e os negativos (de referência) às regiões da mastóide (A1 e A2). O eletrodo terra será colocado na fronte. O estimulo foi apresentado por meio de fone de inserção - ER 3A, com estimulação monoaural, utilizando-se clicks filtrados (entre 100 e 3.000 Hz) com duração de 100 microsegundos, polaridade rarefeita, intensidade do estímulo de 80 dBNPS. Foram fornecidos 1.024 clicks, com tempo de análise de 15 ms, repetidos para confirmação da reprodução das ondas. A impedância dos eletrodos foi mantida sempre abaixo de 5 Kohms. A freqüência dos estímulos foi de 20.1 clicks por segundos. O critério utilizado para validar as respostas dos potenciais auditivos de tronco encefálico presente foi o registro das latências absolutas das ondas PI, PIII e PV e dos interpicos LI-III, L-I-V e LIII-V em ambos os grupos.

 

3. Resultados

3.1. Faixas etárias

11 neonatos de GI (44%) e 13 de GII tinham menos de um mês de vida; 14 neonatos de GI (56%) e nove de GII tinham dois meses de vida. (GI>GII).

 

3.2. Gênero

12 neonatos de G1 (48%) e 10 de GII (45,50) eram do sexo feminino; 13 neonatos de GI (52%) e 12 de GII (54,50%) eram do sexo masculino, não havendo, portanto diferença entre os grupos.

 

3.3. Resultados das respostas por banda de freqüências de 2K, 3K e 4KHz no exame de emissões otoacústicas transientes (EOA) nas orelhas direita e esquerda em ambos os grupo de estudo.

A tabela 1 apresenta os resultados da pesquisa das emissões otoacústicas por banda de freqüência testada. Observa-se que houve aumento da amplitude de resposta com o aumento da freqüência em ambos os grupos, sendo que GI apresentou amplitudes menores que GII, diferença esta estatísticamente significante para as freqüência de 2 e 3KHz (p < 0,05).

Em GI havia sete neonatos com níveis séricos de bilirrubina não conjugada superiores a 15mg/dL, dos quais quatro foram submetidos à transfusão sanguínea e os outros três à sessões repetidas de fototerapia. A análise dos valores das amplitudes das emissões otoacústicas, particularmente, dessas sete crianças não correspondeu aos menores valores registrados, não nos permitindo estabelecer relação causal entre as variáveis.

 

3.4. Resultados da pesquisa dos potenciais evocados auditivos do tronco encefálico (PEATE) nas orelhas avaliadas.

Em relação às latências absolutas dos potenciais eletrofisiológicos observa-se que os valores de PI e PIII foram semelhantes em ambos os grupos, havendo discreto prolongamento de PV apenas na orelha direita de GI (tabela 2; p<0,05). Pela análise das latências interpicos observa-se discreto prolongamento de LI-V na orelha direita de GI (p<0,05), sem haver diferença nos demais interpicos (tabela 3). Os valores alterados de PV e de LI-V nos neonatos de GI não corresponderam às sete crianças com os valores mais elevados de bilirrubinemia.

 

4. Discussão

Níveis séricos elevados de bilirrubinemia não conjugada são considerados tóxicos tanto para as vias auditivas como para o sistema nervoso central, sendo incluídos entre os fatores de risco para surdez neonatal e para o desenvolvimento de encefalopatias. A elevada concentração do pigmento biliar é combatida por meio de fototerapia e/ou da transfusão sanguínea, sendo esta última conduta, reservada aos casos de maior gravidade e àqueles resistentes às sessões repetidas de fototerapia9,11,12.

As emissões otoacústicas têm sido utilizadas nas avaliações auditivas de neonatos, sendo o teste de escolha para a triagem auditiva neonatal11,12. Neste estudo, as emissões estavam presentes em todas as crianças de ambos os grupos, porém, os neonatos do grupo controle (G2), apresentaram valores mais elevados da amplitude dos registros, quando comparados aos valores de GI, especialmente nas freqüências de 2 a 3 KHz., sugerindo possível comprometimento endococlear dos efeitos tóxicos dos pigmentos biliares. Sendo assim, com os testes rápidos de passa /falha, utilizados em muitos centros nas triagens auditivas, alterações sutis nas amplitudes das respostas, podem passar desapercebidas. Como pudemos observar, pequenas variações de amplitude nos registros das emissões são passíveis de diagnóstico, mesmo com a utilização das emissões otoacústicas transientes. Por outro lado, a investigação da amplitude por meio da pesquisa das emissões de produto de distorção, é método mais fidedigno, por permitir o rastreamento de número mais amplo de freqüências.

Os níveis séricos mais elevados de hiperbilirrubinemia não parecem ter influenciado nas amplitudes mais baixas das emissões otoacústicas transientes ou nos prolongamentos de PV e de LI-V, registrados no PEATE dos neonatos de GI. No entanto, alguns autores estabeleceram relação causal entre essas variáveis. Lenhardt et al.13, realizaram PEATE em 10 recém-nascidos hiperbilirrubinêmicos, logo ao nascimento, repetindo o exame em cinco dessas crianças. Os resultados foram comparados ao grupo controle, composto por 10 recém-nascidos, com níveis séricos normais de bilirrubina. Os autores observaram que, no grupo amostral, as latências absolutas de PIII e PV eram maiores que as do grupo controle e estavam diretamente relacionadas ao aumento da concentração sanguínea de bilirrubina.

O efeito reversível dos danos às vias auditivas após o tratamento da hiperbilirrubinemia não foi possível de ser determinado neste estudo pela demora nos encaminhamentos dessas crianças. Entretanto, foram registradas alterações nas vias auditivas, mesmo após dois meses do tratamento, indicando possíveis seqüelas auditivas, permanentes ou não. Ressalta-se assim, a importância do seguimento periódico ambulatorial dessas crianças, acompanhando, não apenas o desenvolvimento da linguagem, mas também as habilidades cognitivas. Nesse sentido, Wemberg et al.14 relataram o caso de um recém-nascido com hiperbilirrubinemia por incompatibilidade Rh, submetido às avaliações auditivas utilizando PEATE logo nas primeiras 27 horas de vida, e constataram que, quando a concentração de bilirrubina era superior a 15 mg/dL, eram registradas elevações nos limiares eletrofisiológicos e prolongamento de PV. Após a transfusão sangüínea, realizada em 36 horas, os autores repetiram o PEATE e obtiveram melhora dos limiares eletrofisiológicos, em torno de 60 dB, mantendo-se ainda alterada a latência de PV. Após três meses de seguimento, os limiares eletrofisiológicos foram gradativamente se normalizando, porém o intervalo LI-V manteve-se ainda prolongado, sugerindo seqüela auditiva retrococlear.

O caráter reversível das alterações auditivas após a transfusão sanguínea foi também salientado por Nwaesei et al.15 em avaliações auditivas de nove recém-nascidos submetidos a exsangüíneo transfusão por incompatibilidade ABO (n-6) e Rh (n-3), sendo realizado PEATE uma hora antes e uma hora após a exsangïüíneo transfusão, registrando-se melhora significativa nas latências e amplitudes dos potenciais eletrofisiológicos após a transfusão.

Nakamura et al.16, realizaram PEATE nas avaliações auditivas em 56 recém-nascidos hiperbilirrubinêmicos e 24 recém-nascidos sem icterícia, para verificar a otoxicidade precoce do pigmento biliar. As latências absolutas de PI, a 85 dB, encontravam-se aumentadas, quando comparadas aos resultados do grupo controle. A melhora dos registros das latências isoladas das ondas após a exsangüíneo transfusão também foi constatada por esses autores, sendo a recuperação de PI mais precoce que de PV, porém, sem melhora da latência do interpico LI-V.

Os resultados do follow up da integridade das vias auditivas em longo prazo é variável entre os autores. A possibilidade de seqüelas auditivas é aventada por alguns, mesmo após o tratamento adequado e precoce, porém não comprovada por outros. Sabatino et al.,17 realizaram PEATE logo no terceiro dia de vida em 48 recém-nascidos de termo com níveis elevados de bilirrubina total, repetindo as avaliações no quinto ou sétimo dia após terapia com fotoestimulação e exsangüíneo transfusão. Registros suplementares de re-teste foram realizados com três, seis e 12 meses. As médias dos valores das latências do PEATE foram comparadas com 40 sujeitos para controle. Os resultados da primeira avaliação registraram prolongamento de PIII e PV, estatisticamente significativo, quando comparado ao grupo controle, mantendo-se alterados nas avaliações subseqüentes, havendo ainda prolongamento dos intervalos LI-III, LIII-V e LI-V. Avaliações neuropsicológicas realizadas ao longo de três anos, mantiveram-se normais, sugerindo que a alteração na neurotransmissão central do nervo auditivo possa ser transitória e isolada, sem comprometer as habilidades cognitivas. Yilmaz et al.18 realizaram PEATE em 22 recém-nascidos com até 12 meses de idade com hiperbilirrubinemia neonatal e observaram que dois neonatos apresentaram PEATE alterado, compatível com neuropatia auditiva, o que culminou em atraso na aquisição da linguagem, sem outras alterações no desenvolvimento neurológico. Ao contrário, outros dois indivíduos apresentaram seqüela neurológica, porém os resultados da pesquisa dos potenciais auditivos mostraram-se normais. Conclui-se assim, que as seqüelas neurológicas da impregnação dos pigmentos biliares parecem ser seletivas.

Rhee et al19 avaliaram a acuidade auditiva após transfusão sanguínea em  recém-nascidos com hiperbilirrubinemia severa utilizando, em suas avaliações, PEATE, EOAET e a imitanciometria. O PEATE alterado foi refeito a cada três meses em um período de um ano. Os autores constataram: registros normais de imitanciometria e de EOAT, sem realizar, no entanto, análise minuciosa das amplitudes dos registros em cada freqüência. No PEATE, observaram limiares eletrofisiológicos inferiores a 40dB em sete recém-nascidos, ausência de respostas a 90 dB em três e limiares próximos a 70 dB em apenas um deles. Nas avaliações subseqüentes, os autores registraram melhoras consideráveis dos limiares eletrofisiológicos. As alterações observadas no PEATE dessas crianças, na presença de exames normais de EOA, foram interpretadas como danos retrococleares isolados, mantendo-se íntegras as estruturas da cóclea, conclusão esta que deve ser vista com cautela, uma vez que não foram analisadas criteriosas das amplitudes dos registros das emissões em ambos os grupos.

Os resultados apresentados no presente estudo reforçam a importância da utilização da pesquisa das emissões otoacústicas e dos potenciais evocados auditivos nas avaliações auditivas dos neonatos, uma vez que cada um deles avalia sítios distintos de transmissão dos estímulos sonoros.

 

Conclusões

Menores amplitudes nos registros das emissões otoacústicas transientes e discreto prolongamento de PV e de PI-V foram constatados no grupo de crianças portadoras de hiperbilirrubinemia, sugerindo haver comprometimento coclear e retroclear das vias auditivas, sendo importante a utilização da pesquisa das emissões otoacústicas e dos potenciais evocados auditivos nessas avaliações.

      

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Tabela 1.
Imagem 1
Amplitude de resposta nas bandas de freqˆncias de 2K, 3K e 4KHz no exame de emissäes otoac£sticas transientes nas orelhas direita e esquerda em ambos os grupo de estudo.

tabela 2.
Imagem 2
M‚dia e desvio padrÆo das latˆncias absolutas das ondas I, III e V por grupo de estudo, onda e orelha avaliada. (ms)

Tabela 3.
Imagem 3
M‚dia e desvio padrÆo das latˆncias interpicos I - III, III - V e I - V por grupo de estudo, interpicos e orelha avaliada. (ms)

Suplemento
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